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© 2014 Gilberto Gnoato

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GILBERTO GNOATO:

É doutor pela Universidade Federal do Paraná, onde desenvolveu uma pesquisa sobre a violência nas relações amorosas. No seu  mestrado em Psicologia da Infância e da Adolescência pela Universidade Federal do Paraná (2004),  analisou  a relação da violência com o  mundo da rua. 

É especialista em Psicologia Clínica, Psicologia Social e em Antropologia, pela UFPR.  

Possui vários projetos nas áreas de Cultura ,  Sociedade e Comunicação, além de 20 anos de experiência como psicoterapeuta e professor universitário.

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Egito, Argentina e Brasil aparecem entre as nações tidas como mais corruptas estudo da Universidade de Harvard sobre a prática do Jeitinho

04.12.2017

"Em um estudo publicado por pesquisadores da Havard Business School, a escola de administração da Universidade Harvad, nos Estados Unidos, identificou uma instigante correlação entre o hábito de dar caixinha e a corrupção. Os autores do artigo "Here's a tip: prosocial gratuities are linked to corruption" (em tradução livre, "Aqui vai uma gorjeta: gratificações pró sociais estão ligadas à corrupção") cruzaram informações de 32 países e concluíram que tais ações, que à primeira vista parecem moralmente oposta, podem estar intimamente ligadas. Em resumo, naqueles países onde é prática corrente dar caixinhas o suborno também é uma constante. Dar gorjetas não faz parte do costume de neozelandeses e islandeses, e os cidadãos dessas nacionalidades estão também entre os menos sujeitos ao pagamento e recebimento de subornos, de acordo com o índice de corrupção percebida, calculado pela transparência Internacional. Já o Egito, a Argentina e o Brasil aparecem entre as nações tidas como mais corruptas, e nelas a prática de dar gorjetas é também disseminada. Os autores tentaram encontrar alguma correlação entre a corrupção e outras variáveis econômicas e sociais, como o PIB per capita, a taxa de homicídios e até o valor do investimento na saúde. Nenhuma delas, entretanto, revelou uma relação tão estreita com a corrupção quanto o hábito de dar caixinha.A correlação não é 100% perfeita, e os próprios autores afirmam que seu estudo é apenas um ponto de partida para análises futuras mais profundas. "Nossos resultados não pretendem explicar a corrupção de um país", afirma Magnus Torfason, um dos autores do estudo. "A intenção é simplesmente realçar a relação existente entre gorjeta e suborno, mostrando que ela pode ser um dos muitos fatores responsáveis pela existência de corruptos." Existem, , algumas discrepâncias - por exemplo, casos de países nos quais as gorjetas são frequentes mas que têm níveis de corrupção completamente distintos. Uma dessas incongruências foi avaliada separadamente.

 

Os autores do trabalho se detiveram na comparação entre Canadá e a Índia. Esses países apareceram lado a lado quanto à propensão a dar caixinha, mas os canadenses estão entre os menos corruptos do mundo e os indianos figuram quase no topo dessa lista. Os autores, por meio de questionamentos, quiseram saber quais as motivações de canadenses e indianos para dar uma caixinha. Nas respostas, ficou evidente a diferença nas intenções. Na Índia, as pessoas tendem a dar gorjeta para desfrutar alguma vantagem no futuro. No Canadá, a gratificação é, normalmente, um prêmio a um serviço bem prestado. Para os autores, não se deve observar, portanto, apenas o hábito de dar caixinha, mas qual é o propósito de quem pratica esse ato de - aparentemente - simples generosidade.

 

Assim, dar caixinha para assegurar um bom atendimento no futuro é um gesto derivado de motivação não muito diferente daquela que faz alguém pagar propina para vencer uma barreira burocrática em uma repartição pública ou subornar um guarda de trânsito para escapar de uma multa. Essa é uma das manifestações do famoso "jeitinho brasileiro", citado, inclusive, no artigo de Havard. Para Maria Cristina Ferreira, doutora em psicologia e autora de uma tese citada como fonte do estudo, o jeitinho, ainda hoje, no Brasil, é tratado muitas vezes como algo essencialmente positivo. "As pessoas não veem a quebra da norma como um problema e não admitem que se utilizam desse artifício". afirma Maria Cristina. " O jeitinho seria uma forma de sobrevivência, uma maneira de burlar a burocracia." O antropólogo Roberto DaMatta, em seu livro O que faz o Brasil, Brasil? atribui o jeitinho a uma maneira particular de os brasileiros fazerem uma meditação entre os seus interesses pessoais e as leis e regras universais, supostamente válidas para todos. Segundo DaMatta, nos Estados Unidos, na França ou na Inglaterra "as regras ou são obedecidas ou não existem". no Brasil, entre o "pode" e o "não pode" escolhemos ambos, afirma o antropólogo, e daí nasce o jeitinho. Do culto ao malandro, o profissional do jeitinho, à rapinagem dos políticos, é um pulo.

Quando você der uma gorjeta, pense antes sobre quais são suas reais intenções. 

 

 

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