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GILBERTO GNOATO:

É doutor pela Universidade Federal do Paraná, onde desenvolveu uma pesquisa sobre a violência nas relações amorosas. No seu  mestrado em Psicologia da Infância e da Adolescência pela Universidade Federal do Paraná (2004),  analisou  a relação da violência com o  mundo da rua. 

É especialista em Psicologia Clínica, Psicologia Social e em Antropologia, pela UFPR.  

Possui vários projetos nas áreas de Cultura ,  Sociedade e Comunicação, além de 20 anos de experiência como psicoterapeuta e professor universitário.

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A casa e a rua no Brasil

13.04.2018

 

Gilberto Gnoato, abril de  2018

                                                                        Seção 1. A sociedade das casas e a vida privada

 

Entre 10.000 e 6.000 a.C. alguns grupos humanos deixaram de viver em busca da caça como única fonte de alimento para explorar a agricultura e criar animais em cativeiro. Uma das consequências fundamentais dessa transição foi o abandono do nomadismo e do abrigo das cavernas para a fixação do homem na terra e a fundação da sociedade das casas. Childe (1986) Bryson (2011). Entre 6.000 e 3.000 a.C., na China, Egito, Índia, Mesopotâmia, América Central e Andes, surgiram as grandes cidades Bryson (2011, p. 50); momento em que alguns povos já conciliavam na sua vida social, o embate inelutável entre a natureza e a cultura. Essa criatura singular que vive entre o simbólico e a materialidade, não só fabrica armas e ferramentas, como inventa deuses e demônios.

 

Montar uma escala do tempo para dizer quando exatamente nasceu a sociedade humana, constituída por famílias e habitando em casas, seria pouco provável, mas a antropologia estrutural de Claude Lévi-Strauss afirma que a passagem da natureza para a cultura ocorreu quando a horda primitiva foi impedida de agir somente pelos instintos e passou a ser conduzida por uma regra. A primeira regra fundante da humanidade foi a proibição do incesto. O casamento exogâmico foi o dispositivo que permitiu a aliança entre grupos rivais e a formação da família ---- a primeira instituição humana----. A ordenação do matrimônio como sistema de trocas, é até os dias de hoje, o maior sistema de organização social, denominado pela antropologia estrutural de “sistema de parentesco” Strauss (2003). Para o antropólogo o casamento funda a sociedade humana na medida em que estabelece a união de grupos diferentes por um ritual que imprime um sistema de reciprocidades por meio de uma intensa troca, de grupos sociais, de pessoas, de nomes, de bens materiais de afetos e de obrigações, cujo objetivo fundamental é constituir família.

 

As casas serviram então de habitat para o novo agrupamento  humano. No entanto, a estrutura do lar encontra-se em constante transformação, moldando-se, entre outras variáveis, ao clima, à cultura, ao processo da revolução urbana e sobretudo àquilo que queremos ressaltar; ou seja: As reformas no espaço físico da casa estão intimamente relacionadas ao nascimento da vida privada, sistema social típico das sociedades modernas onde o indivíduo é o seu valor supremo. Dumont (1992, p. 35). Assim, torna-se também necessário particularizar o espaço doméstico em diversos cômodos. Ao contrário das sociedades modernas, nas “sociedades holísticas”, nos termos de Dumont (1992), as casas possuem poucas peças, já que este sistema social enfoca o todo e não as partes. De forma geral, são peças extensas que servem para abrigar grandes famílias e agregados de outros grupos sociais ou parentes que compactuavam uma atividade comum à da família local.

 

A fundação da casa com diversas repartições é uma invenção recente e coincide com o nascimento do indivíduo no ocidente, pois até que despontasse sua aparição, as moradias eram estritamente modestas.

 “Até as casas mais grandiosas tinham apenas três ou quatro cômodos-----o hall, a cozinha e talvez uma saleta lateral, conhecida como bower (saleta particular),parlour (parlatório) ou chambre (câmara) onde o chefe da casa podia tratar de seus assuntos pessoais...As pessoas davam tão pouca importância aos quartos, que, no sentido moderno, a palavra “room”, significando recinto fechado ou aposento separado, só foi registrada em inglês na época dos Tudor, no século XVI” Bryson ( 2011, p. 66).

 

No Brasil colonial, desde as primeiras décadas do século XVI até o século XIX, as casas populares se constituíam de uma ou duas peças que abrigavam ao mesmo tempo as mais diversas tarefas. No mesmo espaço físico recebia-se amigos, executava-se trabalhos manuais, era também o lugar da cozinha e do dormitório, composto normalmente por redes e esteiras pelo chão.

 

“Nas classes populares, a privacidade era um luxo que ninguém tinha…Entre os poderosos, a multiplicação dos quartos nas residências não significava garantia de privacidade. Todos davam para o mesmo corredor e raramente tinham janelas. Ouvidos indiscretos estavam em toda a parte. Frestas nas paredes permitiam espiar. Chaves eram artefatos caríssimos e as portas, portanto, não se trancavam. Elemento de ostentação nas casas ricas, a cama traduzia um nível de vida: a conquista do tempo e da liberdade. Mas para as suas intimidades, os casais sentiam-se mais à vontade, “pelos matos”, nas praias, nos campos, na relva. Longe dos olhos e dos ouvidos dos outros “.  Priore (2011, p. 24).

 

A construção da noção de indivíduo no Ocidente   inicia-se no século XVI e alcança seu acabamento no final do século XVIII. Dumont (1992); Foucault ( 2013). Antes do século XVI o indivíduo não existia. O cristianismo produziu, segundo (DUMONT,1992) um “indivíduo-fora-do-mundo”, isto é; um indivíduo em relação a Deus. Uma criatura vazia, já que a vontade de Deus era a vontade do homem. Um dos marcos fundamentais da libertação da razão divina e aquisição da razão humana foi a Reforma, iniciada por Lutero na Alemanha e prolongada por Calvino, na Suíça e na França, a partir do século XVI. No mesmo século, uma série de mudanças dão continuidade ao aparecimento do indivíduo. A queda da teoria geocêntrica retira o homem do centro do universo. A revolução das ciências astronômicas com a descoberta do telescópio, retira a Terra do centro do Sistema Solar. Na arte; o Renascimento recupera os valores greco-romanos e o movimento Barroco coloca o homem como uma entidade apartada de Deus, cuja criatura obriga-se ao cuidado de si. Por fim, a institucionalização do amor-paixão” Rougemont (1988 ) como mito de origem da individualidade,  inauguram o início de uma obra que se consolida mais tarde com os ideais da Revolução Francesa: A ascensão da vida privada e do indivíduo burguês. Sua  aparição   na história social vem reafirmar a noção de autonomia e liberdade financeira de uma categoria de trabalhadores liberais, em especial os artesãos, comerciantes e pequenos proprietários rurais, que, segundo Bobbio (2004), na passagem da idade média para a idade moderna, adquiriram uma configuração típica de classe. Ele se afirma como classe, não apenas por ser o precursor do capitalismo; mas por construir novos valores sociais do “espírito burguês”, cujos valores se fundamentavam nas doutrinas liberais, no racionalismo e em especial na ferrenha eficiência do individualismo e da propriedade privada.

 

O processo civilizador do século XIX, empenha-se no esforço logístico para a plena comodidade desse novo homem. Foi necessário dar a ele, no seu batismo doméstico, uma sala de ser e estar. “Se tivéssemos que resumir tudo em uma só frase, poderíamos dizer que a história da vida privada é um relato do prolongado esforço de se sentir confortável” Bryson (2011, p. 155).

 

Uma coincidência inelutável: Até o final do século XVIII, a ideia de ter conforto em casa não existia. O significado do termo conforto, até então, era algo que se dava a um “mal estar”, a um doente, a uma pessoa ferida ou uma espécie de consolo à viuvez ou à mãe angustiada pelo filho. Apenas no início do século XIX é que se falava em ter uma casa confortável e nela, um cômodo à parte para maior privacidade do indivíduo que iniciava os experimentos da sua existência interior e o regozijo das suas pequenas satisfações psíquicas. A consciência da existência de uma entidade singular, se engrandece por sua particularidade: Do  latim, indivíduo quer dizer “indiviso”, “único”. Será realmente preciso dar conforto e “bem estar” a essa inconsolada criatura que até o século XVI, não passava de um pedaço de Deus.

 

Foi então que a criação civilizatória lhe concedeu um escritório, para a sua racionalidade. Uma cozinha para a transformação do cru em cozido, passagem da natureza para a cultura. Concedeu-lhe os quartos que se ampliaram para dar espaço aos prazeres da carne. Até o final do século XVIII, o sexo era vivido e praticado apenas como um “impulso sem nome”, nos termos de Foucault (1984, p. 146). Na medida que o sexo se expandiu na casa e na rua, ele se fortaleceu como categoria ontológica. Hoje, o sexo diz quem somos, pois ele é a identidade do indivíduo, “o dispositivo de sexualidade que fez surgir, do fundo de nós mesmos, como uma miragem onde acreditamos reconhecer-nos” (FOUCAULT, 1984, p. 146), suscitando a todos o desejo de sê-lo, já que ele nomina, classifica e diz que somos homens, mulheres e outros gêneros modernos.

O espaço íntimo do quarto, não é mais o lugar onde se confortavam os enfermos estremunhados. A cama, os espelhos para reflexo e reflexão da individualidade e a valorização do eu, como um novo ser, dão ao quarto, um cômodo especial para a manipulação do corpo. Também a banheira, não mais para a sua higienização, mas para a assepsia de um possível mal que possa escapar pelos orifícios da natureza humana. Assim, se fez o lavabo, o toalete, o banheiro, enfim um espaço secreto na casa, onde ocultamos a nosso atavismo animal. Lá, é o lugar onde se escondem os gases fétidos, as secreções, os líquidos impuros e outras obras, trancadas a sete chaves. É lá também, como no quarto, o lugar profano do sexo solitário e do sofrimento dos mal amados. A porta do banheiro sempre está fechada. Uma furtiva maneira de negar aos olhos e ao nariz, a nossa desagradável dimensão biológica. Lá, arrancamos os pelos do nariz, tiramos a cera do ouvido, os pedaços da unha, as melecas do nariz.  O banheiro é o lugar simbólico onde tenta-se trancar e esconder a nossa animalidade, como espécie igual às outras. Lá, entramos como bichos e saímos como gente.

 

 Na sala de jantar, outro triunfo contra a natureza, aguarda o indivíduo. O garfo, uma propriedade pessoal da nobreza cortês “cuja data exata de surgimento ignoramos” Frugoni (2007, p. 107), mas instituído na Idade Média para a manipulação da massa, um prato tipicamente medieval. Uma parafernália   de artefatos à mesa, com vários tipos de talheres e de copos encontram-se ordenados em uma sequência ritualística rigorosa, para receber o nosso anfitrião. Tal parafernália não teria outro fim senão o de frear os nossos impulsos primitivos. A boa educação recomenda não limpar o prato. O último pedaço sempre fica exposto a todos, como álibi que atesta a nossa capacidade de vencer a própria gula, típica dos animais. Não comer o último pedaço é dar provas de que somos gente e não bichos. Também a cozinha, é esse novo lugar de passagem da natureza para a cultura, que Elias (1994) nomina de “processo civilizador”. Diferentemente do banheiro que pretende esconder, a cozinha procura transformar a natureza em cultura, por meio da metáfora do cru e do cozido, tornando o alimento natural em comida civilizada.

 

 Um código de regras de comportamento em casa e na rua, para melhor polimento do novo ser.

            A obra de Bill Bryson, “Em casa”, sintetiza o que apresentamos acima.

“Concebi então a ideia de fazer uma viagem ao redor da casa, passear de aposento em aposento e considerar o papel de cada um na evolução da vida privada. O banheiro daria uma história da higiene; a cozinha, do preparo dos alimentos; o quarto trataria do sexo, da morte e do sono; e assim por diante. Enfim eu escreveria uma história do mundo sem sair de casa” ...” O que descobri, para a minha grande surpresa, é que tudo que acontece no mundo ---- tudo que é descoberto ou criado, ou ferrenhamente disputado---- vai acabar, de uma forma ou de outra na casa das pessoas. As guerras, a fome, a Revolução Industrial, o Iluminismo--- tudo isso está lá no seu sofá e na sua cômoda, escondido nas dobras das suas cortinas, na maciez de seus travesseiros, na tinta das suas paredes, na água das suas tubulações. Assim, a história da vida doméstica não é apenas uma história de camas, sofás e fogões, como eu vagamente supunha, mas sim do escorbuto e do guano, da Torre Eiffel e dos percevejos, dos ladrões de cadáveres e de mais ou menos tudo que já aconteceu. As casas não são o refúgio contra a história. é nelas que os fatos históricos vão desembocar”. Bryson (2011, p. 18-19)

 

 Seção 2. O ser humano como categoria simbólica.

 

Compactuamos com a perspectiva de que cada ação prática, cada construção material da obra humana, é acompanhada de um correspondente simbólico, pois; se fosse apenas para saciar a fome, não precisaríamos sentar à mesa, agradecer aos deuses pelo alimento e prover do “cru e do cozido” como aponta a obra de Strauss (2004). Os códigos alimentares servem ao corpo, mas também são formas de simbolizar pessoas, como por exemplo a metáfora do doce e do salgado. Comumente associa-se o açúcar ao feminino e à ordem privada, “Ela é um doce de mulher”, enquanto que o salgado designa a ordem pública e masculina. Nosso código de alimentos também pode estabelecer uma moralidade nas coisas “Isto não está me cheirando bem”. Também a simbologia do sujeito primitivo e do civilizado encontra-se intimamente ligada ao gosto que se tem por certos alimentos. O cru é representado por um estado de natureza que engloba categorias de pessoas selvagens, ao passo que o cozido, associa-se ao “processo civilizador”, e engloba uma categoria de pessoas classificadas como mais polidas, mais adiantadas na competência de controlar seus impulsos selvagens, pois, como define a metáfora do guloso, “o apressado come cru” DaMatta (1993).

 

A cultura, tomada aqui, como uma “teia de significados comuns” nos termos de Geerrtz (1973, p. 15) imprime na natureza humana seu registro diferencial, pois; reafirmamos que se fosse apenas para o ser humano copular e reproduzir, não precisaria do ritual do casamento, como foi mencionado no início deste texto. Um dedo é apenas uma massa orgânica funcional para o corpo, mas um dedo com uma aliança de compromisso é a inscrição do cultural no biológico. Com tudo isto, queremos destacar que a forma de pensar o mundo, está marcada por nossas significações culturais. É o que o antropólogo Clifford Geertz nomina de “etnografia do pensamento”. Em outros termos, significa dizer que não existe uma razão pura, uma consciência neutra ou uma inteligência universal. Cada sociedade possui uma forma de pensar marcada por suas crenças e valores locais, ou seja; pela cultura. Geertz (1997).

 

As ciências duras tendem a explicar os fenômenos sociais por intermédio da sua estrutura material e morfológica. Esta é uma perspectiva, entre muitas outras. Tentamos enfocar aqui outros mirantes sobre a materialidade da casa, destacando mais a sua simbologia do que a sua função concreta.

“...a casa se exprime numa rede complexa e fascinante de símbolos que são parte da cosmologia brasileira, isto é, de sua ordem mais profunda e perene.” DaMatta (1993, p. 27).

 

 Com muito apetite, acredita-se que a “comida caseira” teria um sabor melhor do que os pratos de restaurantes, porque tudo que é “feito em casa”, adquire na nossa sociedade, uma pitada de afeto, de cuidado e preciosidade, em oposição ao que é feito na rua, ou fora de casa.

 

O antropólogo Roberto DaMatta, na sua célebre obra “A casa e a Rua”, destaca o mal de quando se coloca alguém “para fora da nossa casa”. Esta atitude inóspita carrega sempre o significado de uma ação violenta, pois priva-se essa pessoa de um espaço marcado pela familiaridade e pela hospitalidade, deslocando-a para a rua, lugar da impessoalidade, do perigo e do anonimato. O mundo externo é pensado como lugar da competitividade, da luta individualista que não pertence a mim e a ninguém. Em casa, somos gente, pessoas, na rua somos “o povo, a massa”. Um espaço que contraria as nossas vontades particulares e por isto a rua é a metáfora “da dura realidade da vida”. DaMatta (1993, p. 29). A rua contrasta com a casa, porque nesta, temos o reconhecimento da nossa identidade pelos membros da família com sua rede de vizinhos, amigos e compadres. Como veremos a seguir, as dimensões histórico-culturais de longa data erigiram o imenso apreço que se tem pelo mundo da casa no Brasil.

 

Seção 3. “O que faz o brasil, Brasil?”

 

A partir da chegada da família real ao Brasil, em 1808, foi estabelecida uma divisão profunda entre as instituições e leis que regimentariam o Estado e as leis que seriam aplicadas à população local. No alto da sociedade, a aristocracia portuguesa blindada pela imunidade e privilégios. Muito distante, bem abaixo, uma legião de indígenas e escravos, “ao Deus dará”. Até os dias de hoje o Brasil é constituído por um tremendo sistema hierárquico que coloca o governo separado da sociedade. As buscas de solução para os problemas do dia a dia foram e são resolvidas pela capacidade de cada brasileiro fazer amigos e colher deles uma rede de apoio social. Daí, a expressão “se virar como puder”. Trata-se de uma sociedade que procura fortalecer relações, pois ter alguém que conhece “os home lá encima” torna-se uma das estratégias de sobrevivência financeira para que se possa “subir na vida”; ou em outros termos, aquilo que os sociólogos chamam de “mobilidade social ascendente”, Goffman (1999, p. 41).

 

          (Almeida, 2007) conclui em sua Pesquisa Social Brasileira que depois de Deus, a família e os parentes são as entidades nas quais nós mais depositamos confiança. Trata-se de uma sociedade que se organiza pelos “laços de sangue e de afetos”, nas palavras de (Holanda,1995), condição para a nossa navegação social. Basta analisarmos a história do Senado brasileiro, da Câmara Federal, Municipal e do nosso tradicional presidencialismo carismático.  São histórias em que invariavelmente os escândalos recaem sobre o nepotismo ou sobre os benefícios concedidos aos parentes, aos amigos, amantes e vizinhos com a criação de milhares de “cargos de confiança”, cujo critério não é o mérito do candidato, mas o seu grau de relacionamento afetivo, tal como na intimidade da casa. Pode-se entender então, porque, se faz com tanto desprendimento e facilidade da administração pública, uma extensão do espaço doméstico. “Sinta-se em casa”, expressão pela qual normalmente recebe-se uma pessoa no serviço público. Pela mesma lógica, a inversão do espaço público no trânsito também é remodelada, conforme a dimensão doméstica. O motorista ao se colocar no assento do seu automóvel, dirige como se estivesse sentado no sofá da sua própria casa. Atende ao celular, usa o espelho retrovisor como artefato de maquiagem, ao mesmo tempo que, por vezes, ingere bebida alcoólica imaginando estar em um “churrasco” na casa do amigo. Dobra uma rua sem dar sinal, como se saísse do banheiro para ir para a sala, desatento pela pressa de assistir à novela. O Brasil ocupa o terceiro lugar no planeta, entre os países que mais matam no trânsito. Temos uma média de 30 a 40 mil mortes por ano, além das sequelas de invalidez. Ignora-se o código oficial e se estabelece uma forma pessoal de dirigir. A lei é vista como uma regra impessoal que atrapalha nossa forma personalista e doméstica de perambular no trânsito. Há uma resistência histórica de se incorporar as leis oficiais no Brasil. Espécie de “estraga prazeres”, porque, ou se obedece, ou se desobedece, mas nunca a lei é respeitada. Um sistema paralelo de acordos e “manobras” pessoais, opõem-se ao sistema impessoal das leis oficiais que por vezes são chamadas de “leis que não pegam”. No contexto político institui-se uma prática clandestino de regras. Para citar um exemplo no Paraná, temos hoje, 20 mil leis inconstitucionais. Entre 1996 e 2013, o Tribunal de Justiça do nosso Estado, julgou mais de mil ADIS (Ações Diretas de Inconstitucionalidade). As ADIS são ações que procuram impedir que uma lei considerada inconstitucional possa entrar em vigor, caso aprovada pela Assembleia Legislativa ou Câmara Municípios. O que isto significa? Os legisladores fazem dos Estados e dos Municípios, o quintal da sua casa.

 

Expressões socialmente difundidas, como, “tio”, retratam a intimidade parental com a qual valorizamos tudo que é familiar. Além de outras linguagens metafóricas que também reafirmam nossa efêmera cordialidade: “Querida”, “amiga”, “parceiro”, “simpatia”, “companheiro”, “meu chapa”, “meu irmão”, “mano”, “compadre” ou ainda “amigão”, revelam a intensa necessidade de tornar o estranho, familiar. O pano de fundo dessas transformações é a incessante necessidade brasileira de “se sentir em casa”, mesmo que pela via do “jeitinho brasileiro” Almeida (2007); Barbosa (2006). Em 1946, registra-se pela primeira vez a aparição do “jeitinho brasileiro”, quando um médico húngaro teve, sua profissão alterada pelo cônsul que deliberadamente resolveu transformá-lo em agrônomo, como forma de driblar a lei (entendida pelo cônsul como “besteiras sem importância”) para facilitar seu visto e sua permanência no Brasil. (Kellemen,1961). Eis o dilema brasileiro, ao qual Roberto DaMatta apresenta na obra “Carnavais, Malandros e Heróis”: Devemos agir seguindo as regras da vida pública onde todos deveriam se sujeitar, ou agimos conforme nossos interesses privados e em benefício dos nossos parentes e amigos? *

 

* Sobre as práticas do “jeitinho brasileiro” ver artigo publicado “A lei do jeitinho brasileiro: um estudo longitudinal” Gnoato(2014). Revista do Instituto de Direito Brasileiro da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, nº 5, 3439 ou pela página www.jeitinhoécorrupção onde está veiculado o artigo e uma campanha reflexiva sobre as práticas do jeitinho brasileiro. Desde 2004 temos trabalhado com o tema levando-o à discussão nas instituições de ensino e em comunicação semanal com a sociedade pelo Programa Light News da rádio Transamérica Light  95.1 FM, em Curitiba-Pr.

 

Seção 4. A representação da casa e da rua no imaginário brasileiro

 

A relação entre a casa e a rua no Brasil obedece a uma ordem complexa e paradoxal, típica da lógica brasileira que vê na “mistura” um valor nacional. Mistura-se feijão e arroz, chicletes com banana, axé-music. Faz-se um sarapatel de bucho de bode tanto na comida como na arte, na política e nas práticas cotidianas. O que se perde em casa, ganha-se na rua. O que se acha na rua torna-se propriedade de quem encontrou. Expressões como “Achei não roubei, é meu” ou, “A rua é pública”, denotam a possibilidade de se realizar nela o que não fazemos em casa. O distinto trabalhador e pai de família, lava as mãos ao chegar da rua. Este ritual cumpre muito mais uma assepsia da limpeza moral do que uma higiene das mãos. O mesmo pai de família, honrado e moralista no mundo sagrado da casa torna-se um homem profano ao “mexer com as mulheres na rua”. A rua, em oposição à casa torna-se o espaço da devassidão. A expressão “uma mulher da vida”, para designar a prostituta, facilmente sofre um deslize sociológico pela expressão “mulher da rua”. Nela, a manifestação da beleza da mulher, pode ser entendida pela lógica masculina, como uma insinuação, pelo “uso de roupas provocantes”. Tal lógica funciona como uma espécie de álibi histórico para permitir que os homens “mexam” com as mulheres que circulam na rua. Num grau mais impactante do que “mexer”, o mundo da rua como “terra de ninguém”, faz vistas grossas às "cantadas” e ao assédio sexual; ao contrário da casa como lugar de respeito. Na lógica brasileira, a casa e a rua, são compreendidas como entidades que estão muito além da sua materialidade.

 

“Quando então, digo que “casa” e “rua” são categorias sociológicas para os brasileiros estou afirmando que, entre nós, estas palavras não designam simplesmente espaços geográficos ou coisas físicas comensuráveis, mais acima de tudo, entidades morais, esferas de ação social, províncias éticas dotadas de positividade, domínios culturais institucionalizados e, por causa disso, capazes de despertar emoções, reações, leis, orações, músicas e imagens esteticamente emolduradas e inspiradas.” DaMatta ( 1987, p. 15).

 

 Estar em casa significa pertencer a uma família, a um grupo fechado e protegido por pessoas do mesmo sangue e do mesmo afeto. São fronteiras que nos separam do mundo anônimo da rua onde não só estamos expostos à indiferença da impessoalidade pública, como vulneráveis aos estranhos que não nos reconhecem. Quando o patrão demite seu funcionário, ele o remete “ao olho da rua”. Quando não gostamos de uma visita indesejada dizemos que “a porta da rua é a serventia da casa”. Tragicamente a rua é também a depositária das nossas projeções psicológicas. “Rua daqui” é a afirmação que elimina o mal que habita nossas casas. Chamar alguém de “arruaceiro” se assemelha a um rótulo que carimba o “marginal” dado às “arruaças”.

 

Seção 4.1.  “Meninos de rua” e crianças de casa

 

Duas categorias distintas da infância brasileira se inscrevem na nossa sociedade. Aquelas que pertencem ao mundo da casa, as crianças, e aquelas que pertencem ao mundo da rua, os meninos de rua. A rua no Brasil é um mito fundador. Embora seja “um local perigoso” DaMatta (1987, p. 62) ela possui uma rede de apoio social e afetiva capaz de englobar pessoas e definir identidades. Se as crianças socializadas são definidas na relação que ocupam com seus pais, os meninos de rua são definidos pela relação que têm com o anonimato da rua. Ele é uma criatura pública. Sem nome, sem adultos responsáveis e é definido segundo a sua territorialidade. Os filhos da rua são o grupo de contraste da infância socializada brasileira e representam a vergonha da infância marginalizada, expressa muitas vezes pela   vexatória depreciação “moleque de rua”.

"O ponto crítico da identidade social no Brasil é, sem dúvida, quando não há mais nenhuma possibilidade de definir alguém socialmente por meio de sua relação com alguma coisa (seja pessoa, instituição ou até mesmo um objeto ou atividade." DaMatta (1987, p. 64).

 

No Brasil, a categoria "meninos de rua" nasceu na década de 80, Gregori (2000), quando vários problemas da infância marginalizada adquiriram uma intolerável visibilidade social. Outras expressões anteriores aos anos 80 procuraram nominar o fenômeno, tais como "menor infrator", “menor abandonado", órfão" e "menor carente". Mais recentemente expressões como: "criança em situação de rua", criança em situação de risco", "meninos na rua", ou "criança pobre", representaram a infância excluída. Em 1989 o Encontro de Bogotá realizado pelo UNICEF fez a distinção entre crianças "Na" rua e crianças "De" rua. Gregori (2000, p. 65) destacando a cultura da rua e sua poderosa rede de apoio social como um dos pontos centrais do fenômeno, deslocando a atenção dos pesquisadores brasileiros para os "fascínios da rua" Rizzini (1995); ou “cultura da rua” Zaluar (1985) ou ainda “microcultura específica” da rua Aptekar (2000). "... a busca da rua como principal espaço de socialização vem ganhando destaque na literatura a partir da década de 80."[1]

 Se, para os brasileiros, “estar fora de casa” significa para muitos encontrar-se “na rua da amargura”, teríamos que dedicar outro capítulo para compreender o significado da rua no imaginário das populações de rua. Para encerrar esta seção, ressalta-se que o número de meninas é muito inferior (80% menor) ao número de meninos Aptekar (2000). Além da diferença quantitativa de gênero, também evidencia-se a disparidade quanto ao o tempo de permanência na rua.  Elas não permanecem por muito tempo, se comparadas ao tempo dos meninos. A rua, no Brasil, é um universo predominantemente masculino. Ambiente inóspito e perigoso. Lugar da virilidade, em oposição ao mundo da casa. Veremos na seção seguinte que trata sobre a violência de gênero, que os dados sobre meninos de rua reafirmam desde muito cedo que o espaço público ainda é no Brasil, o mundo dos homens.

 

Seção 5. Violência de gênero na casa e na rua

 

O Brasil acumula o enfadonho cômputo de um estupro a cada 11 minutos. Em 2014 foram registrados 47.646 atos de violência sexual contra a mulher. A polícia estima que a maioria das vítimas de estupro não faz o registro das queixas, sugerindo que esse escore seja bem mais contundente.

Tão contundente quanto vergonhoso, o Brasil é o quinto país que mais mata mulheres no planeta:

1º El Salvador

2º Colômbia

3º Guatemala

4º Federação Russa

5º Brasil

6º México

14° Cuba

18º África do Sul

19º Estados Unidos

24º Quirguistão

26º Sérvia

34º Croácia

43º Jordânia

50º Portugal

60° Espanha

71° Japão.

 

A relação entre violência e gênero revela que, 50% das mortes dos homens ocorre no espaço público. Na rua, nos bares, no estádio de futebol e entre outros lugares, enquanto que 31% dos homicídios de mulheres ocorre no “espaço doméstico”, aqui, doravante entendido como o “espaço da casa”. A maioria das agressões contra a mulher no Brasil, 67.2%, é perpetrada pelo ex parceiro e pelo próprio parceiro com o qual um imenso contingente de mulheres convive por décadas em situação de risco. O adágio popular de que “Em briga de casal não se mete a colher” parece ser um dos álibis que sustentam as estatísticas sobre a violência contra a mulher, já que 71.9% das agressões ocorrem dentro de casa, lugar onde vivem mas também morrem a maioria dessas mulheres no Brasil. Waizelfisz (2015)

 

(DAMATTA1987) trata o Brasil como uma “sociedade relacional”, pois a organização da vida pública e privada, se estratifica por intermédio das relações entre parentes e amigos, fazendo do nosso país; ou ao menos desejando que fôssemos uma “grande família”. Uma democracia atada por laços de sangue e de afeto. Dentro ou fora das esferas da violência, nossas práticas cotidianas procuram estabelecer intimidades relacionais em todos os setores da vida social ou daqueles que estão a sua margem.

Não é por acaso que entre os membros do Primeiro Comando da Capital (PCC) as namoradas e as mulheres casadas com os ‘irmãos” são chamadas afetuosamente de cunhadas, embora não tenham sido batizadas, nem estejam ligadas formalmente ao Comando. (VARELLA, 2017, p. 268).

 

. A casa, em oposição à rua é o lugar dos arrufos de casais, pois, como diz o adágio popular, “roupa suja se lava em casa”. A “unidade doméstica é um dos lugares em que a dominação masculina se manifesta de maneira mais indiscutível e não só através do recurso da violência física” Bourdieu (2011, p. 138), mas também pela “dominação simbólica” a que o sociólogo se refere.

 

O espaço doméstico burguês torna-se na nossa sociedade, a matriz sentimental das relações sociais e amorosas fortemente asseveradas pelo modelo patriarcal autoritário que delega à mãe os cuidados dos afetos domésticos e ao pai o trabalho público. Um modelo que construiu o ideal de amor materno personificado pela tolerância e proteção incondicional da mãe para com os aos filhos e dela para com o marido. A mãe é o centro do amor familiar. Fonte inesgotável da esperança e da sujeição. Vivemos em uma sociedade familista. O dia das mães no Brasil tem mais importância que o dia dos pais, já que ela é o centro dos afetos familiares. Neste contexto, muitas mulheres acabam por aderir ao discurso e ao papel de cuidadoras do marido. A artista Tônia Carreiro, cita uma frase bastante exemplar a respeito dessa categoria de mulheres “O truque para prender o homem não é beleza e nem juventude. É uma coisa tão besta que dá raiva: É parecer com a mãe” (PRIORE, 2013, p. 80).

 

 À medida que a mulher avança na vida pública, a violência contra ela se intensifica na resistência aos dispositivos culturais de longa duração que se reverberam ainda, pela voz “lugar de mulher é na cozinha”.  Quando a mulher “sai de casa”, torna-se um problema para grande parte dos homens, pois o ciúme se potencializa e se aguçam as “brigas de casal. Nota-se aí o esforço de muitos homens em fazer o possível para dar tudo que sua esposa necessita para a casa. Com muita frequência ouve-se dessas esposas o elogio ao empenho do marido: “Ele é um bom marido e não me deixa faltar nada em casa”. Se, por um lado é difícil para a mulher sair do lugar simbólico que a encarcera, é igualmente difícil para o homem não aderir ao discurso da virilidade e das “exigências terríveis para se alcançar o ideal de masculinidade, que imprimem nos homens, tão vítimas dessa violência quanto as mulheres, uma adesão dóxica, crença que não tem que se pensar e se afirmar como tal e, que ‘faz’ de certo modo, a violência simbólica” (BOURDIEU, 2011, p. 45). São produtos da incorporação dominante que ocorre inconscientemente e que transcende o sujeito, impondo-lhe uma ação impensada tanto pelos homens quanto pelas mulheres.

 

Um conjunto de processos amparam tais sentimentos na nossa sociedade. Certa formação religiosa no Brasil em que à mulher cabe sempre o papel passivo e de resignação; a idolatria familista de boa parte do povo brasileiro em que se exige que prevaleça a união familiar mesmo que violenta; a representação da mãe-mulher que tudo perdoa e que pode dar todo amor a um filho e a um marido, mesmo que seja agredida constantemente. Esta é a tipificação sacrificial de um cenário que fortalece a posição inferiorizada da mulher, sempre paciente e pouco agente das suas ações.

 

No Brasil paradoxal, terra de trânsfugas misturas, tenta-se cotidianamente passar do privado para o público, agindo na rua como se estivéssemos em casa, ignorando os limites e o respeito da vida coletiva e também da vida íntima.  No entanto, usamos uma estratégia para dissimular essa passagem furtiva. Tentamos nos parecer “cordiais”, nos termos de Holanda (1995) amigáveis, afetivos e familistas, como se fôssemos uma “grande família”. Infelizmente, a falsidade desse parentesco e dessa suposta amabilidade se esfacela e se desmascara perante os dados da violência doméstica no Brasil e da corrupção dos órgãos públicos. Mas, nossa estratégia para esconder esse carnavalesco Brasil mascarado, é misturar a música, as raças, o feijão e arroz, o público e o privado, a casa e a rua. É transformar a corrupção em malfeitorias, transformar o furto em “jeitinho”. Uma vergonhosa tentativa de esconder um povo de duas caras.

 

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[1]Caracterização das crianças e adolescentes em situação de rua no município de Curitiba. Prefeitura Municipal de Curitiba. Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbanos. Secretaria Municipal da Criança e Universidade Federal do Paraná. Setor de Educação. Curitiba, junho de 1999, p.5.

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